O Brasil vai mesa

O gesto trivial de levar um alimento à boca é o primeiro flagrante da saúde do homem, o registro fundamental de sua qualidade de vida. O modo pelo qual funciona uma sociedade dá uma história que cabe num bocado. Eis aí, cru, o placar da competição entre os homens. As nações servem à mesa, entre a plenitude e a fome, a aptidão com que satisfazem a demanda primária da espécie: produzir e pôr ao alcance de todos alimentos em quantidade, qualidade e variedade suficientes para encher o estômago e aquecer o coração. A absoluta banalidade do ato de comer é ainda a síntese de uma das mais complexas dimensões da aventura humana, o produto de uma receita inimitável que mistura relações reais entre pessoas do mundo real com crenças e idéias que transitam pelo imaginário. Uma refeição é feita de alimentos e símbolos.